Quem se surpreende com a quantidade de grampos telefônicos recentemente descobertos em Brasília talvez não imagine que a prática de espionar a conversa alheia é quase tão antiga quanto a própria invenção do telefone, em 1876.
"Em 1918, por exemplo, militares dos Estados Unidos perceberam que suas conversas estavam sendo escutadas. Recrutaram então índios para transmitir os dados confidenciais em sua língua nativa, que não era entendida pelos interceptadores", conta ao G1 David Owen, autor do livro "Hidden Secrets: The Complete History of Espionage and the Technology Used to Support it" (Segredos escondidos: a história completa da espionagem e a tecnologia usada para apoiá-la).
Aparentemente, não há um primeiro caso de grampo documentado. Mas fazer uma escuta é tão fácil que em pouco tempo elas se transformaram em um recurso importante para governos e agências de espionagem. "Basta ter um receptor telefônico e dois cabos com dois 'clipes' para conectar ao circuito. A única dificuldade é encontrar a linha certa para interceptar", explica Owen. Tanto que o FBI, criado em 1908, sempre foi um grande usuário dessa técnica de espionagem.
Grampo nas guerras
Durante a Primeira Guerra Mundial, os EUA grampearam a embaixada da Alemanha em Washington, porque temiam que os alemães estivessem fazendo espionagem no país. Acabaram descobrindo que o embaixador tinha uma penca de amantes e conversava com elas pelo telefone.
"Naquela época os EUA eram neutros na guerra, mas muitos políticos eram pró-aliados. As informações sobre o embaixador acabaram vazando à imprensa e as fofocas foram usadas contra os alemães", conta ao G1 Thomas Boghardt, historiador do Museu do Espião, em Washington.
Outro caso emblemático aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial. O primeiro-ministro britânico Winston Churchill e o presidente norte-americano Franklin Roosevelt tinham uma linha telefônica exclusiva para suas conversas, que eram codificadas. Só que os alemães conseguiram interceptá-las e decodificá-las.
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Mas a popularização dos grampos ocorreu mesmo durante a Guerra Fria, quando russos e norte-americanos começaram a grampear uns aos outros. J. Edgar Hoover, diretor do FBI obcecado pela caça aos comunistas, proliferou a prática na agência norte-americana. A CIA também usou o método e chegou a interceptar uma conversa no telefone do carro de Leonid Brejnev (então diretor do Partido Comunista Soviético) falando sobre esconderijos de armas que poderiam ser usadas contra os EUA.
Claro que nem todos os grampos dão certo. O caso Watergate, em 1972, é um exemplo. Cinco pessoas foram detidas ao tentar espionar documentos e instalar escutas no Comitê do Partido Democrata dos EUA, justo em época de eleição. O caso culminou com a renúncia do então presidente republicano dos EUA, Richard Nixon.
Tempos modernos
Mais recentemente, em 2001, o grampo telefônico serviu para que o FBI descobrisse que o agente Philip Hanssen era um infiltrado trabalhando para os russos. Por 16 anos ele trocou informações confidenciais por dinheiro e diamantes até que seu telefone e seu blackberry foram interceptados pelos norte-americanos.
Mesmo com o fim da Guerra Fria, os russos ainda despertam desconfianças entre os americanos. O prédio da embaixada russa em Washington está localizado em uma das áreas mais altas da cidade, "ponto em que é possível interceptar qualquer conversa", explica Boghardt, do Museu do Espião. "Por isso, todo mundo sabe que qualquer ligação importante na cidade tem que ser codificada, se você não quer que os russos fiquem sabendo."
O que mais mudou desde a popularização dos grampos, avalia Owen, foram seus limites legais. "O uso legal de grampos sempre dependeu da aprovação dos governos. A partir da paranóia frente ao terrorismo e dos atentados de 11 de Setembro, as agências governamentais passaram a usar essa prática muito mais livremente".
Hoje, qualquer ligação pode ser interceptada via satélite – uma quantidade inimaginável de dados. Computadores do governo dos EUA identificam conversas que contenham palavras-chaves, como jihad, terrorismo ou Bin Laden, e as selecionam. "Mas os políticos dificilmente vão admitir isso", diz Owen. "Nenhum governo gosta de admitir a prática da espionagem."
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